Quero uma ilha. Uma ilha longe,
circundada pelo mar transparente, refletindo o céu azul, todo ele pintado de
azul, sem que uma única sombreasse a paisagem. Queria o sol a transbordar sobre
mim, a alma pacífica, com apenas a luz para pensar. Queria o verde pintado o
tapete de vida que se estende pela minha imagem. Quero a sombra de uma
palmeira, multiplicada em avenidas de sombra e a frescura pacífica da solidão
do dia de sol. Quero a areia a enterrar os pés e sentir o calor que emanam a
entrar pelo corpo dentro e a aquecerem-no, a aquecerem o branco de neve que
ainda me cobre no inverno do meu corpo. Tenho frio, quero sol. As lágrimas da
chuva estrondosa ainda caem sobre o meu rosto. A roupa escura ainda me tinge o
pensamento de uma escuridão moribunda. O coração bate e o corpo parece explodir
num motim de sensações que me querem consumir. Quero uma ilha. Quero uma ilha
em que não me lembre do que fui, do que tenho, do que vi, do que amei. Quero
paz, quero a solidão saudável de quem quer sentir a sua presença, só. Quero os
pássaros a cantarem para mim como uma melodia fundamental da natureza, como
parte dela. Quero um mundo meu. Só meu. Quero sair do inverno. Quero a luz que
faça derreter o frio que me esculpiu, quero a água derretida do meu corpo em
flor, naquela ilha. Quero a leveza esvoaçante deixando o meu pensamento pesado
flutuar na água daquele mar límpido que me rodeia. Quero a vida em elemento,
quero um sopro das palavras que me fazem sorrir, quero uma melodia que me encha
o coração daquela cor com que me pintas. Quero o mundo isolado no teu sorriso,
no teu mundo, na tua ilha.
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