Se todas as melodias fossem como
esse sorriso, toda a música seria um toque de um corpo de notas em êxtase. E o
céu envolto na neblina, abriria os olhos sorriria também para ti, num divino
cumprimento pintado em luz esplendente do dia em flor. E eu, cá em baixo, nada
mais posso fazer que ouvir o quadro dessa melodia que me vai aquecendo o corpo
coberto de tanta neve. E choro ao mesmo tempo que as lágrimas da chuva vão
caindo sobre mim. Choro por querer tocar nessa luz que me ilumina cá em baixo.
Olho em meu redor e vejo o campo em primavera, como um arco-íris que vai
tapetando todo o horizonte, e lá nesse azul celestial vais sorrindo convidando-me
a subir. Levanto o braço, estico o meu corpo em pontas dos pés, mas tudo foge.
Apenas o vento me abraça o corpo saudoso. E olho o céu de novo e lá estás tu,
envolto no verão do teu corpo. E corro, corro em direção ao sol, em direção a
uma esperança que me veja e aconchegue numa viagem até ti, mas tudo me faz
tropeçar e cair em abismos que me abraçam a queda com o rio fluente que me vai
levando para onde a corrente me quer. E sorris lá ao longe, cada vez mais
longe, cada vez mais distante e o frio enrijece os ossos numa gélida tristeza
que vai consumindo a cor do sol, a minha cor. E a primavera desvanece para um
inverno sem cor, sem som, céu ou sol. Tudo é uma paisagem pintada por preto e
branco. E o rio vai correndo mais devagar, mais frio, e os olhos vão fechando
até tudo se consumir pelo vazio de um olhar que dorme mas não sonha. Sinto-me
ora pesada, ora numa leveza que me faz cair como uma folha de papel que dança
abraçada à brisa selvagem até cair nos braços do chão reconfortante. O frio
parece derreter para um calor que vai molhando o corpo e uma luz atravessa os
olhos e ilumina o coração fazendo-me abrir os olhos em flor, e lá estás tu, tão
perto, tão quente, e a melodia é trazida pelo vento que faz esvoaçar o teu
cabelo, e eu olho o céu e tudo é luz nos teus braços. E levanto-me,
segurando-me à tua mão, e olho em redor. O mar canta esparzindo o seu aroma
pelo ar, o sol beija a sua testa enquanto o céu se vai vestindo de laranja
explosivo. Olho para ti. Ouves o ambiente e fechas os olhos inclinando a cabeça
para trás para que a maresia te envolva. A tua mão continua na minha, e tudo
parece, por fim, ter sentido.
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