quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Saudades.

Tenho saudades do tempo em que olhávamos uns para os outros e sorriamos por acreditarmos na ilusão de que nos teríamos para sempre. Que ilusão, esta que me cegou tanto tempo e me fez acreditar que podia construir laços inquebráveis, que podia construir pontes que nunca haveriam de cair! A verdade é que a terra já tremeu tanto por baixo dos nossos pés, que algumas pontes acabaram por estalar. E agora, nunca passamos diretamente de uma margem para outra, não. Olhamo-nos à distância como quem imagina vidas do outro lado que nunca chegam a nascer.
Tenho pena.
Tenho pena de vos olhar e ver caras que nunca vi, vozes que nunca ouvi, corpos que nunca abracei.
Minha gente!
É triste olhar para trás e ver que aquilo que tínhamos quando a vida era ingénua, não é mais que este texto que escrevo.
Não veem? Não veem que o que construímos não é mais que algo que desvanecerá como o vento que penteia os cabelos no dia da despedida? O que teremos para lembrar então?
Tenho saudades. Tenho tantas saudades do tempo em que brincávamos até ficar de noite e riamo-nos até doer a barriga. Tenho saudades de quando todos se lembravam do todos, não porque se precisa, mas porque se gosta, gosta-se de uma maneira inconcional. Se eu contasse a vezes em que só se lembram de nós para fazer um pedido camuflado num daqueles sorrisos antigos, falsos, mas tão lindos! 
Se soubessem as lágrimas que me escorrem pela cara abaixo e caem no chão, sem ninguém para as apanhar! 
Não tenho saudades do tempo que vivi. Tenho saudades das pessoas que perdi.   


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