domingo, 12 de maio de 2013

Ser ao contrário.


E se eu não for mais nós? Se não for mais a mão que seguras quando olhas para mim com esses olhos que me atravessam por completo? Se não for mais o sorriso que queres e pedes para ver, se não for a sombra que te tapa o sol no verão? Se não for mais a almofada dessa cama remexida? Se não for o lençol quando está frio? Se não o toque para acordar, a voz para sonhar, o beijo para amar? Se não for mais a distância que nos encurta o horizonte mas estende o coração até ao outro lado do mundo? Se não for mais o batom nos teus lábios que tiras sem hesitar? Se não for mais o suor partilhado na entrega? Se não for mais o brilho do colar que me deste para mostrar o decote? Se não for mais a dança que dançamos sempre juntos, cabeça no teu ombro, bater ao ritmo da batida que vai movendo os corpos? Se não for mais o vestido que me cobre no baile? Se não for mais o teu sapato de Cinderela, perdido no meio dessa tua escadaria? Se não for mais a letra do teu nome, a cor dos olhos, o rosado dos teus lábios? Se não for mais o nosso olhar? Se não for mais a tua lágrima quando da saudade te vais lembrando? Se não for o seguimento do teu rasto na areia da praia? Se não for mais o céu para onde olhas e vês a Lua, tão branca, tão longe? Se não for a tua noite, o teu dia, o teu nascer do sol, o teu crepúsculo dourado a iluminar a janela? Se não for o rubor da tua cara? A vergonha do gesto, a timidez da máscara? E se não for mais eu e tu?

Seria ser sem ser alguém.



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