quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Que se lixe!

Que se lixe, apetece-me escrever. Às vezes acordamos num dia NÃO mesmo que acordemos com os pés envoltos no lençol. O cabelo despenteado não quer ir ao sítio mesmo que o lambuzemos com gel. Não há roupa que fique bem, par da meia que apareça, calças que assentem nas curvas mais ou menos curvilíneas. E os livros que colocamos na mala parecem pesar o dobro e as costas dobram-se numa curva preguiçosa que não se endireita. Parece sempre que algo ficou para trás mesmo que tenha tudo o que precise, mas que se lixe. A voz dos que falam para comigo parece mais aguda e aguçada, cortando o crânio em pequenas incisões que queimam o pensamento. As vozes que gritam na minha cabeça nada com sentido me dizem e os caminhos parecem enovelhados em nós cegos e revoltados. O céu cinzento, mesmo que brilhe, chove sobre mim em gotas espessas e oleosas. A comida cai na barriga como veneno, mas que se lixe. E porquê as coisas não melhoram? Porque é que a escova não disciplina o cabelo rebelde? Porque é que o espelho não me reflete como devia ser? Porque é que o sol não brilha mais para mim? Porque é que eu não acordei com o lado certo equilibrado? Sabem que mais, estou a lixar-me para isso, estou no meu dia NÃO.

Sem comentários:

Enviar um comentário