A poucos dias de começar uma nova etapa, passam por mim todas as memórias dos tempos da mudança. Aqui estou, formada, crescida, desenvolvida e independente, a olhar para aquela pequena menina que entrou no Jardim de Infância com os óculos redondos. A estranheza com que enfrentei todos os novos sítios e desafios manteve-se desde o dia em que lá entrei e acompanhar-me-á ao longo dos anos. As cores, os sons, os cheiros, vão-se desvanecendo na memória, mas o sentimento perdura. Quando antes queria ansiosamente crescer, agora penso se não terei crescido demasiado depressa. O medo de perder a inocência, de perder o sorriso, o pensamento livre, vão tomando conta de mim, apesar de se ter cá dentro uma criança sempre a correr e a brincar com a vida.
Olho para mim e para as borbulhas que foram aparecendo, o corpo que foi crescendo, os centímetros que ganhei, aquilo que conquistei e os amigos que mantive e os que, com o entendimento, fui perdendo. Os verdadeiros foram-me acompanhando, de braço dado, a passo jovial. Os outros foram parando aqui e ali e outros abraçaram. Não me interessa, não me faz falta, nem sequer me preocupa. Os verdadeiros mantém-se e tapam as lacunas que os outros deixaram. Com a idade vão diminuindo, mas o valor vai aumentando, com as devidas cicatrizes que toda a vivência nos proporciona.
A dias de começar uma nova etapa, não escrevo com saudade do que passou. Escrevo com a curiosidade da menina que começou a aprender, há 15 anos atrás.
Parabéns Inês!! Gostei tanto de ler este teu post. Continua, vai em frente com essa garra e energia que tens demonstrada no teu sorriso. Lindo. Beijinhos. São
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